sujeito ( in ) derteminado
08. paixão -
- Inscreveu-se no corpo de bombeiros voluntários. Queria apagar um fogo que ardia sem se ver. Estava apaixonado
o9. naufrágio -- Passava horas a fio a navegar na net. Um dia apanhou uma tempestade das sérias e salvou-se por um triz, agarrado ao teclado. Mas o rato foi o primeiro a abandonar o computador
10. arma -
- Usava as palavras como arma. Depois guardava-as secretamente como se fossem livros. Um dia, por descuido, a biblioteca pegou fogo e ele sucumbiu à explosão do arsenal das suas próprias ideias
11. perfeição -- Gostava de pintar horizontes a perder de vista. Como se vistos através das portas da alma. E tão reais, tão reais, que um dia, ao sair do ateliê, até se enganou na porta e nunca mais foi encontrado
.....................
"Sujeito Indeterminado" é um livro de Augusto Mota ,o jardineiro.filósofo das palavras , ou um breviário de textos brevíssimos ,com pouco para ler ,mas com muito para pensar ,como o próprio autor define
e
no vestíbulo ,à laia de prefácio ,Alberto Pimenta escreve que "À semelhança da arte conceptual, que não pinta ou representa objectos, mas sim projectos ou ideias, na mini-ficção não há acções ,mas apenas o que poderia chamar-se a sua meia-luz, isto é ,a linguagem que as encena ( ... ) Creio que é bastante nesta linha de reflexão que Augusto Mota articula e desarticula e sinteticamente questiona o sentido, com permanentes subentendidos de longo alcance"
de Augusto Mota são ,igualmente ,as ilustrações que pertencem à sua série de "vinhetas ecológicas"
Augusto Mota, o jardineiro.filósofo ou o poeta das imagens, merecia ,há muito ,um lugar reservado na galeria da Casa Museu e muito mais do que ora publicamos .um dia ,mais tarde ,voltaremos a outras facetas deste pintor.virtual ...
Editado por Silvestre Raposo à(s) 22:21 5 documentos
"il diavolo e l'angelo"
Editado por Silvestre Raposo à(s) 23:58 13 documentos
a deusa fogo
vagueou no espaço limitado do vento e sentiu no rosto a prisão agreste .pensou que poderia percorrer outros sinais ,desde que os signos lhe demonstrassem que errara na escolha do deus .Hades fora a estátua que esculpira pela manhã ,enquanto lhe corriam os pensamentos soltos .insistentemente ,Hélios circulava entre os aros dos óculos que havia pousado na cadeira pejada de jornais da véspera e
a pedra soltou.se da primeira página ,projectada na face negra da lua .sentia.se acordado no espaço lúgubre da passagem .era noite .sabia.o .sentia.a .tinha.o .desejava.a .sua .seu .o egoísmo ,porém ,aquecia.os na letargia do quarto ,deitados ao cuidado dos dedos e das mãos ,sôfregas .os corpos ,embalados pelo vento ,percorriam as esferas húmidas do prazer ,longe dos lugares inimaginados ,onde ,em cada segundo ,sucumbia um ser humano .eles haviam.se como os repovoadores do mundo .os obreiros da casta de uva que ,de madura ,havia de pender sobre o solo .bocas sedentas abriam.se ao recolher os bagos ,e eles amavam.se ao sabor da parra
o espelho deixava.lhe o reflexo do vento .sabia.o desde que havia aberto a porta do escritório à espera de uma nova rajada .deixava.se envolver e rodopiava ,qual bailarina ,em folha solta .as hastes do cedro dourado rumorejavam e ,no quebranto da dança ,ela deixava.se levar pelo vento peregrino .sentia.se na revolta de si ,ou talvez não .no momento em que ele lhe havia descrito a conversa a três .na altura irritara.se ,mas agora ,olhava a indiferença marcada na sua pele .era ,mais uma vez ,uma tentativa falhada ,de regresso a um passado que rejeitava ,porque não seu .era ela sem o ser ,e rótulos ,jamais permitiria a alguém .todavia ,curioso! já não estava irritada .a importância relativa dos outros deixava.a entregue ,de novo ,ao bailado do vento .aquele medo/fascínio ,aquele ser/não sendo ,aquele colocar/tirar a máscara ... ah! aí sim .era ela .máscara grega .a pitonisa .a vestal .a deusa .ela e o fascínio da queda .mas .merda para tanto EU .ela dançava nua no vento e ria.se demais .louca
a imagem reflectida ... o balanço do corpo .a lágrima que o vento abrigava na face .o uivo .o homem .o canto chão alentejano .o encontro na noite .inventado .enroscava.se no silêncio do sofá qual felino em espera .viriam .tinha a certeza .quem? a imagem .o reflexo .o desequilíbrio .a palavra .o certo .o errado .o logro . a verdade .a confusão .o medo .a revolta .a falta de afecto .os seus fantasmas ( era demasiado idiota para acreditar neles ) .tudo não passava de uma farsa deixada à fantasia dos seus autores .mas os autores eram eles .eles ,os reais participantes da vida que iria arrastá.los aos infernos .Dante .um cheiro a enxofre percorreu.lhe as narinas ,ávidas de viver .o percurso era outro .a diva .a maior .ele o ser superior .encontravam.se na lava ,envoltos em espirais de vento .iriam ,no entanto, resistir ao temporal .ao temporal dual .o dos outros pouco ou nada interessava .o irresistível toque do telemóvel .olhou o visor .anónimo .a atracção do abismo era superior a ele .conhecia o/a anónimo/a .outra .mas ... atenderia .gostava daquele jogo em ser .sado.masoquista
porque não? as mulheres haviam de ter ,na sua vida ,o papel que encenara .e havia.o feito com tal perfeição ,que já não era capaz de distinguir o real do imaginado .transformara.se no redopio das folhas caídas .arrancadas .pelo vento .queria sentir fúria .queria rasgar o útero .queria.se mulher de arranhar e/ou deixar as suas unhas cravadas em outras costas .queria .simplesmente deixar.se envolver na melodia do ventre e dormir o momento .o entregar.se .o achar.se .o despir.se .o serEditado por Silvestre Raposo à(s) 15:20 19 documentos
Pintura de Silvestre Raposo na Casa Museu João de Deus ,em S. Bartolomeu de Messines
Editado por Silvestre Raposo à(s) 21:55 27 documentos
Comemorações do 177º aniversário de João de Deus - 8 de Março de 2007 - Silvestre Raposo



Trazer a Exposição "Blogues" de Silvestre Raposo ao Concelho de Silves e à Casa Museu João de Deus e, integrá-la nas Comemorações do 177º aniversário do nascimento do poeta/pedagogo João de Deus constituiu, para nós, um acto de confiança na diferença, na medida em que o Autor, também ele, poeta da palavra e dos pincéis, procura, nas suas telas, uma forma muito peculiar de comunicar com os Amigos, inicialmente virtuais, para, no momento seguinte, seduzi-los no prazer cúmplice da sua/nossa vivência quotidiana.Editado por Silvestre Raposo à(s) 21:33 5 documentos









