um Poeta Popular
"É o Alves que canta agora,Senhores, dai-me atenção.
Vou cantar duas cantigas
Daquelas que melhor são"
O meu canto principio,
visto que assim me pertence;
mas não quero que alguém pense
que venho em desafio...
Nem eu mereço elogio
da gente que está de fora,
nem minha voz é sonora,
nem tem tal delicadeza...
Sei só dizer com certeza:
é o Alves que canta agora.
que de mim estais a escutar,
se ela vos incomodar,
ouvi-me com paciência.
Bem podia a Providência
fazer-me outro Salomão!
Mas faltando esse condão,
peço aqui, seja a quem for,
por especial favor:
senhores, dai-me atenção. Eu tenho lido na história,
profana, como sagrada;
mas o ler não vale nada
ao que é falto de memória.
Nem tu, do canto ó vitória,
tens momentos que me sigas!...
P'ra tão longe te desligas,
queres sem mim viver sozinha...
Eu com esta voz mesquinha
vou cantar duas cantigas. Mil romances tenho tido,
dramas de bons escritores,
e sei dizer-vos, senhores,
que nada tenho entendido!
De bons génios tenho lido
páginas de perfeição;
conheço por tradição
obras de crentes e ateus,
mesmo as de João de Deus,
daquelas que melhor são. Manuel Alves, poeta popular
"Poesia", óleo de Fuseli.
Editado por Silvestre Raposo à(s) 14:35 3 documentos
triplo bluff
para certos intelectuais de direita ,a minha escrita é uma porcaria surrealista e eu sou um "animal" racional de mau feitio e muitíssimo mal educado -não respondo a provocações .não discuto para alguns intelectuais de centro.esquerda ,a minha escrita é criativa ,mas não percebem porque fujo aos padrões da NORMA .sorriem de um modo displicente .admiram.me e são obrigados a tolerar.me para os intelectuais de esquerda ( primus inter pares ) a minha escrita é forte ,amadurecida e já merecia um destaque maior .esses ,conhecem.me e sabem que sou autêntica .mas porque não discuto ,mesmo quando me tentam ,dizem que perdi qualidades e eu? não sei quem sou ,quando ,no caminho diário para casa ,me misturo no cimento da multidão gritante ,indiferente aos juízos de valor .acresço.me aos fins de tarde e prendo.me às imagens que ,qual filme ,em slow.motion ,decorrem na minha mente .ouso ,então ,questionar o uso abusivo e verifico o ridículo de quem utiliza quem .desfaço ,em mim ,o equívoco e prendo.me ao significante .às palavras
que têm uma vivência muito própria .são aqueles minúsculos pontos de interferência que me comandam .desde sempre .fazem.no de um modo inconsciente .quando pretendo conduzi.las ou apontá.las em outra direcção ,elas brincam comigo e juntam.se a seu belo prazer .conduzem.me .sigo.as no turbilhão ora ordenado ,ora desordenado das ideias que me afluem em catadupa .não ouso interferir com os textos ,porque se o fizesse ,perderia a minha liberdade criativa e passaria a ser presa fácil dos meus impulsos .não pretendo que as minhas pulsões interiores sejam os almirantes das minhas naus .gosto de navegar à bolina .ao sabor da corrente ,sem piloto ,e não tenho problema algum em fazê.lo só ou acompanhada
não .não estou a ser 100% sincera .prefiro ,entre o navegar só ou acompanhada ,fazê.lo acompanhada .há momentos ,porém ,em que o silêncio ,sobretudo ,quando rodeada de muita gente ,me atrai sobremaneira .não consigo entender os atropelos ,por excitação de encontros ou por feitio e, por tal ,afasto.me ,por muito que isto possa incomodar terceiros .que querem? o meu fascínio pelo genuíno passou a ser muito mais forte .não pretendo acrescentar nada à verdade dos outros ,mas também não pretendo que interfiram na minha .se alguém ousa empurrar.me ,como uma mancha indecente ,em direcção contrária ,o que é difícil ,sou capaz de magoar ,mesmo com intenção .assumo ,mas uso a desculpa táctil ,no momento seguinte páro penso fundo e ofereço os meus lugares de paz ,qual flor invisível ,aos meus amigos
sou humana .regresso às ruas ,para voltar a sentar.me no beiral das palavras .estas nunca me magoaram ao longo da minha vida .aproveito o momento de pausa para cogitar em surdinae reparo ,com um misto de tristeza ,que os menos tolerantes ,ou não informados ,remetem sempre para outrem a causa da sua dor .passam a ser os seus ,deles ,pontos de unidade
interferem connosco, e ,ao fazê.lo ,fazem.no de um modo fácil e egoísta ,no limite ,primário ,dos seus SUPEREGOs
há muito que não pensava assim ...
faço.o ,agora ,liberta de qualquer mágoa e nesta conversa sana comigo mesma
pouco me importa saber se existo nas palavras .pouco me importa saber se sou .pouco me importa saber o SABER
( triplo bluff )
deixem.me pensar que estou feliz, apesar de presa a uma endémica infelicidade
prefiro.a .como prefiro ser comandada pelos meus textos surrealistas pretéritos imperfeitos mais do que perfeitos presentes condicionais e futuros .até mesmo incompreendidos .rasurados .a facilidade sempre me molestou .atedia.me desço as ruas que vou tecendo ao longo das páginas .nada me dizem as imagens encomendadas .sou uma profissional do jogo .jogo o ás de espadas e sou forçada a substituir os trunfos por outros mais autênticos ,no meu crescimento precoce ah! já sei que não acreditas ... ( pouco importa .não sei se existo .não sei se sou simples criação de mim .não sei ) ... prefiro o silêncio texto de gabriela rocha martins,
fotografias de avalon e mariah.
Editado por Silvestre Raposo à(s) 22:11 13 documentos
sujeito ( in ) derteminado
08. paixão -
- Inscreveu-se no corpo de bombeiros voluntários. Queria apagar um fogo que ardia sem se ver. Estava apaixonado
o9. naufrágio -- Passava horas a fio a navegar na net. Um dia apanhou uma tempestade das sérias e salvou-se por um triz, agarrado ao teclado. Mas o rato foi o primeiro a abandonar o computador
10. arma -
- Usava as palavras como arma. Depois guardava-as secretamente como se fossem livros. Um dia, por descuido, a biblioteca pegou fogo e ele sucumbiu à explosão do arsenal das suas próprias ideias
11. perfeição -- Gostava de pintar horizontes a perder de vista. Como se vistos através das portas da alma. E tão reais, tão reais, que um dia, ao sair do ateliê, até se enganou na porta e nunca mais foi encontrado
.....................
"Sujeito Indeterminado" é um livro de Augusto Mota ,o jardineiro.filósofo das palavras , ou um breviário de textos brevíssimos ,com pouco para ler ,mas com muito para pensar ,como o próprio autor define
e
no vestíbulo ,à laia de prefácio ,Alberto Pimenta escreve que "À semelhança da arte conceptual, que não pinta ou representa objectos, mas sim projectos ou ideias, na mini-ficção não há acções ,mas apenas o que poderia chamar-se a sua meia-luz, isto é ,a linguagem que as encena ( ... ) Creio que é bastante nesta linha de reflexão que Augusto Mota articula e desarticula e sinteticamente questiona o sentido, com permanentes subentendidos de longo alcance"
de Augusto Mota são ,igualmente ,as ilustrações que pertencem à sua série de "vinhetas ecológicas"
Augusto Mota, o jardineiro.filósofo ou o poeta das imagens, merecia ,há muito ,um lugar reservado na galeria da Casa Museu e muito mais do que ora publicamos .um dia ,mais tarde ,voltaremos a outras facetas deste pintor.virtual ...
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"il diavolo e l'angelo"
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